O ESTADO DE S. PAULO
terça-feira,
8 de maio de 2007
NACIONAL
Previdência da PM fica fora da 1ª fase, mas terá
reforma
Líder
do governo Serra diz que agora não há tempo, mas na seqüência Assembléia
debaterá outros projetos
Silvia Amorim
As
mudanças na previdência estadual que o governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), pressiona para que sejam aprovadas na Assembléia até o fim do mês
representam uma reforma pela metade. Para São Paulo ficar quite com a
legislação federal no que se refere às regras básicas do regime previdenciário
para o funcionalismo público, o governo precisa resolver uma questão ainda
intocada no debate do novo sistema paulista: o fim de parte dos benefícios
concedidos a familiares de oficiais da Polícia Militar que não são mais
permitidos desde 2003 com a edição da Emenda Constitucional nº 41.
O projeto de lei complementar nº 30, que está para ser votado na
Assembléia, não chega nem perto dessa discussão. Para que, de fato, o regime de
pensão dos militares seja ajustado às normas da emenda 41, outro projeto de lei
complementar terá de ser discutido e aprovado pelos deputados paulistas. A
proposta, que mexe com regras em vigor desde 1974, está no Legislativo desde
setembro de 2005.
As alterações são diversas. A mais polêmica é a que obriga o Estado a cobrar
também dos pensionistas uma contribuição mensal de 6% - hoje, viúvas, filhas ou
filhos de policial militar falecido são isentos. Também acabaria a figura dos
contribuintes facultativos e a transferência da pensão para outra pessoa em
caso de morte de um dos beneficiários.
O governo teria ainda de reduzir para 18 anos a idade para pensão dos filhos.
Hoje o Estado paga o benefício até os 21 anos para filhos e filhas solteiras.
Saem do rol de beneficiárias de pensão também as filhas viúvas e divorciadas acima
de 18 anos.
ROMBO
O Estado tem hoje 36.841 pensionistas de policiais militares, segundo o
Instituto de Previdência de São Paulo (Ipesp), a maioria (17.554 casos) filhas
de policiais. O órgão informou não ter uma estimativa dos gastos com essas pensões.
No geral, os 249 mil aposentados e 131 mil pensionistas (dos regimes civil e
militar) custam ao Estado cerca de R$ 12,5 bilhões por ano. As contribuições
cobrem apenas 20% disso. Saem do Tesouro estadual R$ 10 bilhões por ano para
cobrir o rombo da previdência.
As novas regras, se aprovadas, não afetarão os atuais beneficiários dos
militares, uma vez que a Constituição lhes garante o direito adquirido.
O líder do governo na Assembléia, Barros Munhoz (PSDB), assegurou que a reforma
previdenciária não vai parar com a aprovação do primeiro projeto de lei - que
cria a entidade gestora única, a São Paulo Previdência (SPPrev). “Demos prioridade a esse projeto porque temos uma data crucial no
fim do mês e ele precisa estar aprovado até lá. Os outros projetos vamos
discutir na seqüência”, afirmou Munhoz, referindo-se às
propostas que tratam dos pensionistas de militares e do regime de pensão dos
servidores civis.
Serra tem urgência em aprovar a SPPrev, porque, caso contrário, ficará impedido
de receber repasses da União a partir do dia 28.
RECUO
Na semana passada, o governo cedeu às exigências dos militares na discussão do
projeto que cria a SPPrev. Com a nova entidade, seria extinta a Caixa
Beneficente da Polícia Militar, que gerencia pensões e outros benefícios da
categoria, como assistência médica, odontológica e jurídica. Mas, depois da
pressão da corporação, Serra decidiu mantê-la. As pensões passarão à SPPrev e o
restante dos benefícios, não-previdenciários, continuará sob o controle da
entidade.
Para Munhoz, não deverá haver dificuldades na aprovação do projeto sobre as
pensões dos militares. “Esse será mais fácil, já houve acordo no
ano passado. O mais polêmico é este que estamos discutindo agora.”
Não é o que dizem representantes da Polícia Militar. O deputado estadual Major
Olímpio (PV), da base de sustentação do governo Serra na Assembléia, afirmou
que a categoria é contra o projeto. “Queremos que o governo
retire esse projeto e, antes de mudar qualquer coisa, faça uma auditoria
externa nas contas do Ipesp e da Caixa Beneficente da Polícia Militar.”
A classe, segundo ele, está disposta a sair às ruas para protestar. “Por que cobrar contribuição da viúva ou filhos se o policial já
contribuiu o tempo que em estava na ativa? Não vamos aceitar esse rolo
compressor.”
Para o professor de Direito Previdenciário da PUC-SP, Wagner Balera, os Estados
estão muito atrasados na reforma previdenciária. “Vamos pagar caro por
isso. Quanto mais demoramos, o rombo previdenciário aumenta e teremos de fazer
reformas mais restritivas.”